A quantas está sua libido?
Menopausa e alguns cocos de passarinhos
Preciso começar este texto dizendo que esta semana estou literalmente toda cagada (continue lendo e verá que o termo é chulo, mas o conteúdo é bom!).
Em uma manhã linda de sol raiando alto aqui na cidade, meus passos acelerados avisavam ao mundo que eu tinha muitas coisas para fazer. Mas no meio do caminho tinha um passarinho. Ou seria eu que estava no meio do caminho do bichinho? Não tenho como tirar esta dúvida e provavelmente ele não irá me ler para responder ao questionamento. O que sei é, que ele provavelmente estava com seus intestinos bastante cheios. Por algum motivo ele resolveu se esvaziar quando uma mulher na menopausa passou embaixo de si. “Uma mulher na menopausa” - Repito. O resultado foi uma baita mancha amarela em minha camiseta branca e um humor de cão para todo o dia.
Procurei no dicionário pelo termo que utilizo acima “cagada”, pois até pretendia trocá-lo para parecer mais culta esta minha escrita, mas só de raiva não o fiz, pois o dicionário on line não deu entre as definições algo relacionado aos intestinos e sim, somente relacionado a erros e confusão. Do tipo “você fez uma cagada!”. Enfim, o passarinho tinha dado uma cagada em mim e também feito uma cagada de “cagar em mim”. Talvez se eu não estivesse na menopausa este assunto não chegaria a este extremo, mas estou. E em meio a ebulição hormonal que continuo passando, achei que, o que fez o passarinho foi um afronte a minha pessoa. Não bastasse a camiseta, quando cheguei em casa vi o capô do carro todo cheio de tiros brancos. Posso com isso?
Provavelmente um cocozinho de passarinho não seria um problema para mim a alguns anos atrás. Assim como, várias outras coisas que a menopausa me trouxe também não. Uma delas é a falta de libido. Na verdade acredito que o termo correto a ser utilizado aqui é “volição”, pois a libido está muito relacionada com o exercício da sexualidade e volição as vontades no geral. Ou melhor explicando, a falta de vontade de fazer todas as coisas que precisam ser feitas no dia a dia. O cérebro até quer fazer, mas o corpo não acompanha. Já sentiu isso?
Libido nunca foi um problema pra mim, mas hoje é um ponto bastante delicado. Segundo dados da CEJAM (2026) 6 em cada 10 mulheres (60%) referem diminuição da libido durante a menopausa. Aos 40 anos, a produção de hormônios relacionados à libido, como a testosterona, pode se reduzir em cerca de 50% do que o nível produzido aos 21 anos. A reposição hormonal não é a única maneira de tratamento possível e não resolve toda a questão. Pois a mesma, envolve aspectos culturais e psicológicos, como fadiga e baixa alta-estima, principalmente pelo ganho de peso e mudanças no corpo da mulher. Dessa forma, outras ações precisam ser realizadas, como por exemplo, desenvolver um estilo de vida no qual caiba caminhadas e outras atividades físicas e melhora da alimentação.
Essa semana que passou voltei a caminhar e estou utilizando além dos hormônios de reposição, o fitoterápico tribulus terrestris (ele é um comprimidinho azul. Coincidência?). Minha autoestima anda nos pés de tão baixa. Engordei 3 quilos e não consigo perdê-los. Mesmo ainda estando dentro da linha do peso adequado, as mudanças na firmeza da pele são nítidas e os efeitos das atividades tem demorado mais a aparecer. As pernas e o abdome andam bastante inchados e aí tá na cara que a questão da libido não vai ser resolvida com medicamentos somente.
Nesse contexto todo me peguei pensando sobre a sexualidade na terceira idade, pois chegou até mim uma indicação de livro sobre o assunto. Lembrei que foram algumas vezes que, durante a supervisão dos estágios para o curso de enfermagem no lar de idosos, escutamos os colegas do plantão noturno comentando que tinham pego fulano na cama de sicrana, e coisas neste sentido. Eram idosos de 70/80 anos. E daí eu, com 42 anos assim, desse jeito?
O livro em questão é da portuguesa Filipa Fonseca Silva “E se eu morrer amanhã?” editora Dublinense. Que livro hilário! Eu amei!
Sinopse da editora: Helena é uma viúva de quase oitenta anos que leva os dias entre chás com velhas amigas e outras atividades típicas da terceira idade, ou ao menos é isso que seus filhos e neta pensam. Até um incêndio no apartamento dela revelar a vida secreta de uma experiente mulher que, desde a morte do marido, aproveita a vida ao máximo entre variados drinques e amantes. Com uma narrativa tão descontraída e despudorada quanto a protagonista, Filipa Fonseca Silva convida a tocar, com prazer e sem tabus, num ponto ainda pouco explorado: o sexo geriátrico.
Helena me mostrou que há uma luz no fim do túnel. E assim espero, que a “volição” pode voltar a dar o ar da graça por aqui! Assim como, também espero que o passarinho não tente me boicotar mais, tendo a dignidade de não fazer mais o que fez em mim durante a caminhada. Pois as coisas já estão difíceis pro meu lado. E se não for pedir demais que ele cuide um pouco da alimentação, coma mais sementes e menos insetos e minhocas para que seu coco fique no mínimo menos repugnante!


Que cagada, hein Adri? hehehe
É uma coisa bizarra pensar que o nosso corpo foi feito para estar em movimento, mas que o movimento que o mundo contemporâneo nos impõe acaba nos esgotando e criando nenhuma musculatura. Que bom que você resiste e tem mobilizado suas pernas e mente em busca do melhor pra si. Mesmo que os resultados demorem a aparecer, eles estão sendo construídos e logo vai ficar evidente.
Desejo que a vida lhe seja leve e que os passarinhos do seu caminho estejam sem diarreia. <3